Divergências sobre alianças eleitorais, candidaturas e decisões partidárias marcaram a relação entre a direção do partido e integrantes da família do ex-presidente
As divergências entre o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e integrantes da família Bolsonaro expuseram disputas internas por influência política, definição de candidaturas e controle das estratégias eleitorais da legenda em 2026.
Um dos principais pontos de atrito envolveu Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. A crise ganhou força após divergências sobre alianças no Ceará. Enquanto Michelle defendia apoio a Eduardo Girão (Novo), Flávio e dirigentes do PL articulavam uma aproximação com Ciro Gomes (PSDB).
Valdemar também entrou no centro das discussões ao criticar manifestações públicas da ex-primeira-dama e afirmar, em julho, que percebia resistência de Michelle em participar da campanha presidencial de Flávio.
As tensões não ficaram restritas ao Ceará. Divergências sobre estratégias eleitorais em Santa Catarina e São Paulo também evidenciaram dificuldades para conciliar os interesses da família Bolsonaro com as decisões da direção nacional do partido.
Apesar dos conflitos, Valdemar buscou reduzir os desgastes e preservar a unidade da legenda. Em julho, o dirigente participou das articulações que resultaram em uma reconciliação pública entre Michelle e Flávio, após pedidos de desculpas do senador.
O cenário ganhou novos contornos com o fortalecimento eleitoral do PL no primeiro turno das eleições de outubro. A legenda ampliou sua presença no Congresso, enquanto Flávio avançou ao segundo turno da disputa presidencial.
Embora os episódios tenham revelado diferenças políticas e estratégicas, não significaram um rompimento formal entre Valdemar e a família Bolsonaro. O dirigente permanece à frente do PL, e os integrantes da família seguem exercendo influência sobre os rumos do partido.

